Sábado, 29 de Agosto de 2026 – Praça de Toiros José Jacinto Branco, São Manços São Manços é, por direito próprio, uma daquelas terras onde se respira afición e se sente no ar! Como já é hábito dizer-se por estas paragens: em São Manços, São Bravos! No passado sábado, sob o calor abrasador que habitualmente se faz sentir nesta carismática vila alentejana, tanto fora como dentro de praça, voltámo-nos a fardar no Monte da Serra, propriedade da família do nosso Zé Fialho, que mais uma vez, para manter a tradição, nos recebeu com um banquete. Desde já, deixamos aqui o nosso profundo agradecimento pelo enorme carinho que toda a família do Zé tem pelo nosso Grupo. Com a praça cheia que caracteriza esta data, a noite começou pela solene procissão das velas, com a imagem de São Manços a ser transportada pelos moços de forcados. Seguiu-se um momento de enorme carga emotiva com a homenagem à memória do forcado Manuel Trindade, do Grupo de São Manços. O nosso Grupo associou-se a este momento tão especial, assinalando a homenagem com a entrega de uma lembrança ao grupo da terra pela mão do Salvador Ribeiro de Almeida, que esta noite assumia com brio a liderança do nosso Grupo. Os Toiros e os Cavaleiros Os toiros da ganadaria Prudêncio apresentaram-se ao longo da noite com dureza e maus instintos para os cavaleiros, bandarilheiros e forcadagem. Nas lides a cavalo tourearam, Miguel Moura, Luís Rouxinol Jr. e Paco Velásquez. A Prestação do Grupo Quando a noite exige o máximo, é a união que fala mais alto e a prestação do nosso Grupo foi um verdadeiro exemplo de determinação.
1º Toiro – António Queiroz e Melo (3ª Tentativa)
Para abrir a nossa noite frente a um Prudêncio que não facilitava, saltou à praça o António Queiroz e Melo, que não pegava desde o ano passado. Começou com um sentido brinde ao grupo da terra e Pai do Manuel Trindade. O toiro revelou-se complicado, medindo e com maus instintos na reunião, o que custou duas duras tentativas em que o toiro bateu forte. Sem nunca perder a compostura, o António voltou a carregar sempre com determinação. O grupo acabou por fechar nas segundas com o Damião Goes e o Gonçalo Lopes, tendo o Francisco Paulos rematado a pega e rabejado o toiro com enorme arte e eficácia. 2º Toiro – Duarte Palha (7ª Tentativa)
O terceiro toiro da ordem, apesar de ser mais pequeno que os outros, veio revelar mais uma vez que os toiros não se medem pelo peso pois, como se costuma dizer muitas vezes, "os toiros não são para andarmos com eles ao colo!". O Duarte, um jovem forcado do nosso Grupo que tinha feito uma boa pega este ano na sua terra natal, teve pela frente um toiro com um comportamento irregular e que surpreendia na pega, defendendo-se no momento da reunião e complicando muito a vida ao grupo. Brindou ao avô do Zé Fialho, Sr. Armindo Branco. O Grupo demonstrou sempre uma enorme atitude, nunca voltando a cara ao toiro e mantendo sempre o pé para a frente — pormenores que tanto caracterizam o nosso GFAS. De referir que o João Manoel a dar primeiras que já não é nenhum miúdo, teve atitudes e pormenores de um verdadeiro forcado do GFAS com os valores bem marcados: sem nunca perder os papéis avançou sempre decidido atrás do Duarte. O Caetano Gallego fechou a pega rabejando com raça. 3º Toiro – Caetano Gallego (1ª Tentativa)
Para fechar com chave de ouro e aliviar a alma após a tempestade, foi para a cara do toiro o Caetano Gallego, brindando ao público. Demonstrando uma frieza, tranquilidade e concentração notáveis, o Caetano citou com calma, bateu o pé no momento exato e reuniu de forma perfeita, fechando a pega à primeira tentativa. Mostrou de forma clara que, para pegar toiros, estar em forma é logo meia pega! Nas primeiras ajudas esteve o João Faro, que deu uma pronta primeira, contando ainda com a ajuda uniforme de todo o grupo e com o rabejador Francisco Paulos a fechar com classe. Uma pega limpa! O Terceiro Tempo
O jantar nas Festas, na tasquinha do grupo da terra, onde fomos extraordinariamente bem recebidos. Viveu-se o ambiente habitual, bem acompanhados pelas respetivas Celestinas, tendo a jornada terminado para os mais valentes já com o sol do meio dia a incidir sobre o largo da Igreja! São Manços voltou a ser terra de dureza. Não posso deixar de enviar um enorme abraço ao Salvador Ribeiro de Almeida, que teve pela frente o toiro mais difícil da corrida, assumindo a grande responsabilidade de sair a cabo e esteve inteiramente à altura do desafio, como, de resto, já nos habituou a ver em tantas outras ocasiões! Pelo Grupo de Santarém, Venha vinho, Venha vinho, Venha vinho!
Bernardo Bento |